
Quase todos os dias, o homem comum, dotado de senso comum, com os sentimentos usuais de
quem trabalha para viver e cumprir seus deveres para com a família, a sociedade e o país, se
sente atônito com algumas instituições do Estado.
O parlamento legisla de costas para a realidade nacional, e sensível aos lobistas - pelas razões
que podemos suspeitar.
Suas excelências, em sua maioria, são ágeis em defender os próprios privilégios e os privilégios
dos que com elas se acumpliciam.
A consciência moral da cidadania não havia ainda assimilado a lei de reforma eleitoral, que abriu
caminho às doações secretas para as campanhas políticas, e outra decisão espantosa foi tomada.
Com amplíssima margem, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados
decidiu pela reabertura dos mal chamados “bingos”, a serem explorados pela iniciativa privada.
O primeiro argumento dos defensores da medida é o de que o jogo faz parte da natureza
humana.
Estamos sempre jogando. Perfeito. Os que jogam – é esse o raciocínio – devem ser punidos
quando perdem e felicitados quando ganham. A liberdade individual deve ser respeitada. Quem
quiser jogar, que jogue.
Alguns sabem controlar seu impulso, não arriscando mais do que o valor de uma aposta na
loteria.
Mas há quem vai além. São os que perdem o salário, o patrimônio da família, o dinheiro dos
remédios.
Em alguns casos, a fim de atender ao impulso, há quem cometa estelionato e peculato.
Não importa o sofrimento que impuser aos outros, nem os prejuízos que provocar.
Outro argumento dos defensores da liberação é o do desemprego. Os bingos empregarão
milhares de pessoas hoje desocupadas. Se assim é, nada contra. Milhares de brasileiro
trabalham nos postos da Caixa Econômica Federal, recolhendo apostas das loterias oficiais.
A Caixa Econômica poderia, com sua grande experiência, operar os salões de bingo, mediante
pessoal treinado, com a automação dos pagamentos e o registro eletrônico – tal como ocorre com
os jogos que administra
. Os lucros da operação seriam divididos, de acordo com a lei, para o benefício de instituições
culturais e de assistência social.
No caso dos bingos, há outras coisas em que pensar. Os empresários dos bingos constituem
poderoso grupo de pressão sobre o Estado e de suborno das autoridades. Não há melhor negócio
do que bancar o jogo, sobretudo quando não há a hipótese de prejuízo.
As máquinas caça-níqueis são facilmente programáveis para perder no momento certo e na
quantia conveniente.
O próprio bingo clássico é objeto de manipulações, de acordo com alguns policiais.
Além disso – e esse é o perigo maior – a atividade é atraente para o crime organizado.
Há alguns anos, em um hotel de São Paulo, notei que havia um grupo de indivíduos que, pelo
idioma com que se comunicavam, identifiquei como corsos. Pensei que se tratasse de homens de
negócio e isso despertou a curiosidade: em que os corsos teriam interesse no Brasil?
O porteiro explicou que aqueles homens “mexiam” com bingos. Aquele era o “seu negócio”.
O jogo “lava” dinheiro.
Pode legalizar os lucros obtidos no
tráfico de drogas,
na corrupção, no roubo de cargas,
no contrabando,
na contrafacção de produtos industriais, na prostituição.
O Brasil já se encontra infestado de mafiosos de todos os continentes.
A “globalização” trouxe, entre outros malefícios, a presença desses bandos que se dedicam à
exploração do turismo sexual,
ao tráfico de mulheres brasileiras para a Europa.
Além de atuar nas grandes cidades, infestam o litoral.
Não houve uma ampla discussão no país sobre o problema do jogo.
Não haja ilusões: se os bingos forem permitidos, como prevê o projeto de lei, em breve haverá
cassinos sob o comando de gangsters, como é da tradição do negócio, com todos os resultados
conhecidos.
Espera-se que o plenário corrija a decisão.
Se isso não ocorrer, que o Senado exerça – pelo menos nisso – seu papel de câmara moderadora,
e, se não rejeitá-la, altere a lei.
Outra saída será o veto presidencial, que será possível se o presidente pensar nas conseqüências
da permissão.
Mas, se a sociedade não pode passar sem o bingo, que o poder público, mediante a Caixa
Econômica Federal, com sua experiência e recursos, opere o sistema.
Se há jogadores compulsivos que levam os seus ao desespero, os lucros do jogo serão destinados
a retirar milhares de outras famílias da situação de miséria em que se encontram.
Postado por Mauro Santayana às 10:38 01/10/2009
quem trabalha para viver e cumprir seus deveres para com a família, a sociedade e o país, se
sente atônito com algumas instituições do Estado.
O parlamento legisla de costas para a realidade nacional, e sensível aos lobistas - pelas razões
que podemos suspeitar.
Suas excelências, em sua maioria, são ágeis em defender os próprios privilégios e os privilégios
dos que com elas se acumpliciam.
A consciência moral da cidadania não havia ainda assimilado a lei de reforma eleitoral, que abriu
caminho às doações secretas para as campanhas políticas, e outra decisão espantosa foi tomada.
Com amplíssima margem, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados
decidiu pela reabertura dos mal chamados “bingos”, a serem explorados pela iniciativa privada.
O primeiro argumento dos defensores da medida é o de que o jogo faz parte da natureza
humana.
Estamos sempre jogando. Perfeito. Os que jogam – é esse o raciocínio – devem ser punidos
quando perdem e felicitados quando ganham. A liberdade individual deve ser respeitada. Quem
quiser jogar, que jogue.
Alguns sabem controlar seu impulso, não arriscando mais do que o valor de uma aposta na
loteria.
Mas há quem vai além. São os que perdem o salário, o patrimônio da família, o dinheiro dos
remédios.
Em alguns casos, a fim de atender ao impulso, há quem cometa estelionato e peculato.
Não importa o sofrimento que impuser aos outros, nem os prejuízos que provocar.
Outro argumento dos defensores da liberação é o do desemprego. Os bingos empregarão
milhares de pessoas hoje desocupadas. Se assim é, nada contra. Milhares de brasileiro
trabalham nos postos da Caixa Econômica Federal, recolhendo apostas das loterias oficiais.
A Caixa Econômica poderia, com sua grande experiência, operar os salões de bingo, mediante
pessoal treinado, com a automação dos pagamentos e o registro eletrônico – tal como ocorre com
os jogos que administra
. Os lucros da operação seriam divididos, de acordo com a lei, para o benefício de instituições
culturais e de assistência social.
No caso dos bingos, há outras coisas em que pensar. Os empresários dos bingos constituem
poderoso grupo de pressão sobre o Estado e de suborno das autoridades. Não há melhor negócio
do que bancar o jogo, sobretudo quando não há a hipótese de prejuízo.
As máquinas caça-níqueis são facilmente programáveis para perder no momento certo e na
quantia conveniente.
O próprio bingo clássico é objeto de manipulações, de acordo com alguns policiais.
Além disso – e esse é o perigo maior – a atividade é atraente para o crime organizado.
Há alguns anos, em um hotel de São Paulo, notei que havia um grupo de indivíduos que, pelo
idioma com que se comunicavam, identifiquei como corsos. Pensei que se tratasse de homens de
negócio e isso despertou a curiosidade: em que os corsos teriam interesse no Brasil?
O porteiro explicou que aqueles homens “mexiam” com bingos. Aquele era o “seu negócio”.
O jogo “lava” dinheiro.
Pode legalizar os lucros obtidos no
tráfico de drogas,
na corrupção, no roubo de cargas,
no contrabando,
na contrafacção de produtos industriais, na prostituição.
O Brasil já se encontra infestado de mafiosos de todos os continentes.
A “globalização” trouxe, entre outros malefícios, a presença desses bandos que se dedicam à
exploração do turismo sexual,
ao tráfico de mulheres brasileiras para a Europa.
Além de atuar nas grandes cidades, infestam o litoral.
Não houve uma ampla discussão no país sobre o problema do jogo.
Não haja ilusões: se os bingos forem permitidos, como prevê o projeto de lei, em breve haverá
cassinos sob o comando de gangsters, como é da tradição do negócio, com todos os resultados
conhecidos.
Espera-se que o plenário corrija a decisão.
Se isso não ocorrer, que o Senado exerça – pelo menos nisso – seu papel de câmara moderadora,
e, se não rejeitá-la, altere a lei.
Outra saída será o veto presidencial, que será possível se o presidente pensar nas conseqüências
da permissão.
Mas, se a sociedade não pode passar sem o bingo, que o poder público, mediante a Caixa
Econômica Federal, com sua experiência e recursos, opere o sistema.
Se há jogadores compulsivos que levam os seus ao desespero, os lucros do jogo serão destinados
a retirar milhares de outras famílias da situação de miséria em que se encontram.
Postado por Mauro Santayana às 10:38 01/10/2009
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