
Facilidade de fabricação espalha o crack por todo o país Produzido de maneira simples, a droga se
alastra pelo interior do país. Entorpecente pode ser preparado com poucos utensílios e até em
cômodos improvisados de apartamentos
Em Brasília, um dos últimos redutos invadidos pela droga, pedra do crack é vendida por valores
que variam de R$ 2 a R$ 10
Brasília –
No segundo dia da série de reportagens do Estado de Minas, Correio Braziliense e Diario de
Pernambuco sobre a disseminação do crack no país, a reportagem mostra como em 10 anos a
chamada pedra da morte se espalhou por pequenos municípios do interior.
O aumento da produção de coca na Bolívia, o preço baixo e a facilidade para preparar e
comercializar o crack o transformaram em uma das drogas mais populares no país e num dos
mais sérios problemas de saúde pública.
O negócio com o crack passou a ser rentável com o volume de drogas que chega principalmente
da Bolívia, onde os plantios cresceram 6% no último ano, chegando a 30,5 mil hectares, segundo o
relatório deste ano da Organização das Nações Unidas (ONU).
Do total, 19 mil hectares são para consumo tradicional da população, que usa a folha da coca de
diversas formas, inclusive na fabricação de refrigerantes e remédios.
O restante, conforme autoridades policiais brasileiras, destina-se a plantações usadas para
abastecer o narcotráfico.
Hoje, grande parte da cocaína que chega ao Brasil é em forma de pasta-base, matéria-prima para
a fabricação do crack.
Uso de crack vira drama em pequenos municípios Brasil passa de ponto de passagem a posto de
distribuição de crack.
Saiba como foi a evolução da droga da morte ao longo do tempo Brasília foi um dos últimos
lugares no país a ser invadido pelo crack.
O que o governo precisa fazer para frear o avanço do crack?
Ministério da Justiça cria grupo para tentar barrar distribuição do crack .
Por viciar mais rápido que outras drogas e devido ao preço baixo, já existem quadrilhas
especializadas em fabricação e distribuição da droga no Brasil.
“Quem fuma crack tem uma pancada forte, mas que dilui muito rapidamente. Isso estimula a
pessoa a fumar mais”, afirma o perito Adriano Otávio Maldaner, chefe de Serviço de Perícia e
Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.
Até agora, foram desbaratados três grupos: em Itabira (MG), no Recife — onde se recebia o
produto de São Paulo — e em Pelotas (RS), onde eram comercializados pelo menos 100kg da
droga por mês. Somente nesses casos, calcula-se que pelo menos 5 milhões de pedra deixaram
de circular pelo país.
Porém, em todos os estados foi registrado aumento nas apreensões. Ou seja, a circulação do
crack cresceu. O mesmo ocorreu com a cocaína. Em Rondônia, por exemplo, a Polícia Federal
apreendeu 336 quilos de pó em 2005, enquanto neste ano a quantia foi de 1,8 tonelada.
Laboratório
O crack se espalha pelo país devido à facilidade de fabricação em laboratórios caseiros, todos
rústicos — até simples baldes são usados para misturar a pasta-base com produtos químicos. “A
fabricação ocorre em todos os lugares, até mesmo no quarto dos fundos de um apartamento”, diz
o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea.
Ironicamente, a proliferação do crack também foi ocasionada por uma política adotada pelo Brasil
em relação aos países vizinhos produtores de coca: a proibição de produtos químicos. Com isso, o
refino da pasta é feito diretamente em território brasileiro.
Edson Luiz - Correio Braziliense Publicação: 26/11/2009 07:30 Atualização: 26/11/2009 08:08
alastra pelo interior do país. Entorpecente pode ser preparado com poucos utensílios e até em
cômodos improvisados de apartamentos
Em Brasília, um dos últimos redutos invadidos pela droga, pedra do crack é vendida por valores
que variam de R$ 2 a R$ 10
Brasília –
No segundo dia da série de reportagens do Estado de Minas, Correio Braziliense e Diario de
Pernambuco sobre a disseminação do crack no país, a reportagem mostra como em 10 anos a
chamada pedra da morte se espalhou por pequenos municípios do interior.
O aumento da produção de coca na Bolívia, o preço baixo e a facilidade para preparar e
comercializar o crack o transformaram em uma das drogas mais populares no país e num dos
mais sérios problemas de saúde pública.
O negócio com o crack passou a ser rentável com o volume de drogas que chega principalmente
da Bolívia, onde os plantios cresceram 6% no último ano, chegando a 30,5 mil hectares, segundo o
relatório deste ano da Organização das Nações Unidas (ONU).
Do total, 19 mil hectares são para consumo tradicional da população, que usa a folha da coca de
diversas formas, inclusive na fabricação de refrigerantes e remédios.
O restante, conforme autoridades policiais brasileiras, destina-se a plantações usadas para
abastecer o narcotráfico.
Hoje, grande parte da cocaína que chega ao Brasil é em forma de pasta-base, matéria-prima para
a fabricação do crack.
Uso de crack vira drama em pequenos municípios Brasil passa de ponto de passagem a posto de
distribuição de crack.
Saiba como foi a evolução da droga da morte ao longo do tempo Brasília foi um dos últimos
lugares no país a ser invadido pelo crack.
O que o governo precisa fazer para frear o avanço do crack?
Ministério da Justiça cria grupo para tentar barrar distribuição do crack .
Por viciar mais rápido que outras drogas e devido ao preço baixo, já existem quadrilhas
especializadas em fabricação e distribuição da droga no Brasil.
“Quem fuma crack tem uma pancada forte, mas que dilui muito rapidamente. Isso estimula a
pessoa a fumar mais”, afirma o perito Adriano Otávio Maldaner, chefe de Serviço de Perícia e
Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.
Até agora, foram desbaratados três grupos: em Itabira (MG), no Recife — onde se recebia o
produto de São Paulo — e em Pelotas (RS), onde eram comercializados pelo menos 100kg da
droga por mês. Somente nesses casos, calcula-se que pelo menos 5 milhões de pedra deixaram
de circular pelo país.
Porém, em todos os estados foi registrado aumento nas apreensões. Ou seja, a circulação do
crack cresceu. O mesmo ocorreu com a cocaína. Em Rondônia, por exemplo, a Polícia Federal
apreendeu 336 quilos de pó em 2005, enquanto neste ano a quantia foi de 1,8 tonelada.
Laboratório
O crack se espalha pelo país devido à facilidade de fabricação em laboratórios caseiros, todos
rústicos — até simples baldes são usados para misturar a pasta-base com produtos químicos. “A
fabricação ocorre em todos os lugares, até mesmo no quarto dos fundos de um apartamento”, diz
o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea.
Ironicamente, a proliferação do crack também foi ocasionada por uma política adotada pelo Brasil
em relação aos países vizinhos produtores de coca: a proibição de produtos químicos. Com isso, o
refino da pasta é feito diretamente em território brasileiro.
Edson Luiz - Correio Braziliense Publicação: 26/11/2009 07:30 Atualização: 26/11/2009 08:08
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