Estudo diz que o sentimento pode se espalhar como um resfriado
Um estudo realizado pela Universidade de Chicago e de Harvard, nos Estados Unidos, sugere que as pessoas solitárias tendem a dividir o sentimento com outras pessoas próximas.De acordo com a pesquisa, uma pessoa com solidão consegue fazer com que um grupo se afaste do convívio social. Para chegar aos resultados, os pesquisadores examinaram os registros de um estudo realizado no estado norte-americano de Massachusetts, desde 1948. Com o passar dos anos o número de voluntários chegou a 12 mil pessoas. Os cientistas mantinham contato a cada dois a quatro anos e coletavam informações sobre os participantes para elaborar uma rede social para cada um deles.Para medir os níveis de solidão os pesquisadores elaboraram gráficos com a história das amizades dos voluntários e sobre seus relatos de solidão. Com isso, conseguiram estabelecer uma forma de mensurar o sentimento.
De acordo com as análises feitas pelos cientistas, as informações mostravam que, assim como ocorre com um resfriado, os solitários "infectavam" as pessoas a sua volta com a solidão, e que estas pessoas apresentam um nível social cada vez menor. Os resultados também mostraram que a solidão se espalhou entre os vizinhos que eram amigos próximos, além de mostrar que, quando as pessoas ficam solitárias, elas confiam menos nas outras e dão início a um ciclo que se torna ainda mais difícil, quando o assunto é convivência.
Aprendendo a ser só
A felicidade pode ser alcançada na solidão
Tenho observado o comportamento de algumas pessoas e vejo muita gente em busca de um relacionamento. Mas, ao mesmo tempo em que essas pessoas pedem por um relacionamento, elas estão vivendo na solidão. E uma coisa é clara e sei que você vai concordar comigo: nunca devemos pedir um relacionamento a partir da solidão, certo? Quando as pessoas fazem isso, elas estão se movimentando na direção errada, e o resultado final será contrário ao que elas imaginam. Transferir para o outro a responsabilidade da sua felicidade é incorreto, pois o outro será utilizado como um meio e a atitude será recíproca. E quando o assunto é relacionamento, ninguém pode ser usado como meio para nada. Cada um de nós é um fim em si mesmo. Você concorda comigo? Cada vez mais parece que o estar sozinho assusta as pessoas. Talvez seja o medo da solidão, a pressão da sociedade. Talvez seja o tal modelo comum que tanta gente se anula e desiste de buscar a felicidade em função dele.É por isso que eu digo: aprenda a ser feliz sozinho. O dia que as pessoas conseguirem ser felizes sozinhas, elas estarão no caminho certo para serem felizes com alguém. Quando você é feliz, você tem algo a compartilhar, a dar. E quando você dá, você recebe; e não o contrário. É ai que nasce o desejo de amar alguém. O que a maioria das pessoas tem é a necessidade de ser amado por alguém. E essa necessidade é errada, é falsa. Ela não alimenta. Essa necessidade parte do princípio de sermos aceitos, respeitados e desejados. Super valorizamos nossas qualidades e ignoramos nossas fraquezas. Temos dificuldade em lidar com opiniões contrarias aquelas que temos sobre nós mesmos. Vivemos numa luta onde o ego e a vaidade constantemente sobrepõem nossa essência. E isso gera a solidão.E quando as pessoas tiram a máscara, o lado frágil prolifera-se atrás de todas as imperfeições que elas tentam sufocar. É por isso que insisto, quando as pessoas aprenderem a ser só, elas não precisarão mais usar máscaras.
Carência demais só aumenta a solidão
As queixas pela falta de companhia chateiam e afastam os amigos
Necessidade de companhia, ciúmes excessivo, crises de birra e um sentimento de posse, seja pelo namorado, pelos amigos ou pela família. Reconhece essas características em alguém? Então pode anunciar: é carência, e das graves. O medo de ficar só ou de não ser aceito provoca a carência fora de medida. Esse sentimento tira a paz interna e também prejudica o bem-estar de quem está por perto, porque é difícil conviver com uma pessoa pegajosa demais e que não para de fazer cobranças , afirma o psicoterapeuta e especialista do MinhaVida, Chris Allmeida.Sentir falta de uma pessoa querida ou sonhar com um relacionamento amoroso não chegam a ser um problema. Os conflitos começam quando isso atrapalha a rotina e também incomoda o dia a dia das pessoas próximas. Ligar para um amigo e dizer que gostaria de vê-lo, por exemplo, é bem diferente de forçar encontros ou obrigá-lo a assumir compromissos desconfortáveis. "Dou plantão a cada quinze dias e gosto de descansar quando estou em casa, aos domingos. Mas uma amiga não entende isso e preciso desligar o celular caso queira um pouco e sossego na minha folga", afirma a médica Fernanda Santos. Ela já tentou explicar a preguiça e até dar desculpas para evitar o desgaste. Mas não adianta, minha amiga entende as recusas como uma agressão e até se ofende com elas .Esse tipo de reação acaba desencadeando um processo que gera ainda mais carência. Como a Fernanda, muita gente perde a paciência e, aos poucos, vai se distanciando do conhecido ou do familiar com mania de grude. Nisso, tem início um círculo vicioso. As pessoas vão se afastando e o paciente, de fato, começa a ter motivos para se queixar de carência já que ninguém quer ficar perto dele , afirma Chris Allmeida.No divã dos amigos Quando um problema desses chega perto de você, há três caminhos: fingir que não liga e alimentar o comportamento pegajoso; sumir e deixar seu amigo na mão ou tentar ajudá-lo a superar o problema. "São poucas as pessoas com coragem para encarar a situação e reclamar das chantagens de um carente. Mas, quando isso acontece, os resultados tendem a ser positivos", afirma Chris. E não ache que precisa de muita técnica para isso. O que funciona, e não tem erro, é ser transparente. Isso porque, muitas vezes, seu amigo não nota que está perdendo os limites da boa convivência. É preciso um choque inicial, obrigando o paciente a perceber que está fora dos padrões e que isso está perturbando. Se você não contar isso para ele, os limites vão se esgarçando e a exigência de atenção só cresce , afirma o psicoterapeuta. Dê exemplos de frases ou pedidos dele que estremeceram a relação e reclame. Mas, junto disso, lembre situações em que você ofereceu apoio e companhia . Isso serve para mostrar que não se trata de perseguição ou falta de boa vontade sua, mas sim de um excesso de cobrança (e de carência) da outra parte, que nunca se contenta com os cuidados oferecidos.Se algo relacionado à educação infantil está passando pela sua cabeça, não estranhe. Lidar com uma pessoa com excesso de carência é muito parecido com a forma de tratar uma criança. Por causa de algum trauma ou para camuflar uma realidade difícil, muitas pessoas preferem se esconder na sombra alheia. Elas exigem carinho e atenção para ter certeza de que não serão abandonadas e também porque sentem-se fracas e incapazes de sustentar uma relação (familiar, profissional, amorosa ou de amizade , diz Chris. É como se o paciente não se julgasse suficientemente interessante para merecer a companhia de alguém .Inventar doenças, criar escândalos e chorar sem motivo, no entanto, são sinais de que o mal passou dos limites e o sofrimento precisa de amparo profissional. Nesses casos, sua melhor ajuda é sugerir uma visita a um psicólogo. Vale até se oferecer para ir junto à clínica ou pagar a primeira consulta, como uma espécie de presente/incentivo.O chiclete sou eu Mas há quem consiga perceber sozinho o excesso de carência. Se você faz parte dessa turma, sorte sua: assim, dá para aliviar os sintomas sem atormentar a paciência dos outros. O primeiro passo é entender se você realmente está só ou se as companhias que estão por perto não são suficientes. No segundo caso, é preciso entender os motivos da insatisfação: ela pode surgir porque o perfil dos seus amigos não combina com o seu ou porque sua carência pede mais do que seus amigos estão dispostos a oferecer , afirma Chris. Nos dois casos, porém, vale a mesma saída: use a franqueza e esteja pronto para ouvir o que vão lhe dizer. Eles podem assumir que estão sem tempo (e, portanto reconhecer que sua queixa faz sentido) ou rebater a reclamação. "O importante é que, após a conversa, vocês vão saber como lidar com o problema, havendo menos chances de desgastar ou até romper a relação", diz o psicoterapeuta. "E, notando que o problema apareceu porque sua turma anda com interesses muito diferentes dos seus, vença o medo de sair sozinho e passe a procurar pessoas que tenham a ver com os seus gostos atuais".
Grudômetro
É hora de buscar ajuda de um psicólogo quando...
1. Seus amigos e a família começam a dar desculpas para não sair com você
2. Sempre que você telefona para um celular, o número cai na caixa postal
3. Você percebe que, mesmo com companhia, ainda sente muita solidão
4. As chantagens passam a ser usadas para conseguir companhia
5. Você deixa de sair ou buscar diversão porque tem medo de ficar só
Solidão é tão nociva ao cérebro quanto a nicotina
Elas podem danificar neurônios e desencadear males como a depressão, diz estudo
Pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) revelam que a solidão altera as funções cerebrais de maneira tão nociva quanto os componentes do cigarro.O estudo testou pessoas bastante sociáveis e outras que sofriam de solidão. Das 23 voluntárias americanas, não-fumantes, que passavam por exames de ressonância magnética, enquanto eram expostas a imagens e sons que remetiam a solidão, 15 delas mostraram-se solitárias e apresentaram menor ritmo de atividade na zona cerebral chamada de estriato ventral. A reação é semelhante a ação da nicotina no organismo. O estriato ventral é uma região importante do cérebro, ligada ao aprendizado e as emoções, que é ativada por estímulos, que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). As outras 8 participantes, que não sofriam de solidão, tiveram a mesma região do cérebro ativada e não apresentaram nenhum sintoma semelhante ao produzido pelo cigarro no organismo.Quando expostos à nicotina, os neurônios atuantes no estriato ventral desaceleram suas atividades e isso provoca sintomas como depressão, aumento do estresse e da pressão sanguínea, além de elevar as chances de uma pessoa desenvolver o Mal de Alzheimer. De acordo com os cientistas, o problema é que, assim como a nicotina, a solidão causa uma sensação falsa do alívio destes sintomas e o paciente acaba se isolando sem perceber que é essa a causa dos problemas. Silvia Maria Cury, psicóloga e coordenadora dos programas de Controle do Fumo do Hospital do Coração explica que o cigarro e as doenças "emocionais" estão intrinsecamente ligados. "Geralmente os pacientes procuram o fumo como forma de aliviar sensações como a solidão, ou, sofreram do processo inverso, desenvolveram problemas emocionais depois de começarem a fumar", diz ela.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
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