
ALÉCIO CUNHA
Enterro do jornalista, morto no sábado (29), reuniu centenas de pessoas no Cemitério Parque da
Enterro do jornalista, morto no sábado (29), reuniu centenas de pessoas no Cemitério Parque da
Colina
O repórter e colunista do HOJE EM DIA sofreu um AVC em outubro deste ano
O jornalista Alécio Cunha, repórter, colunista e blogueiro do HOJE EM DIA, morreu na noite de sábado (29), aos 40 anos. Em coma desde 6 de outubro, por consequência de acidente vascular cerebral, o jornalista morreu no Hospital Vila da Serra.
O enterro, no final da tarde deste domingo (30), levou centenas de pessoas ao Cemitério Parque da Colina, entre familiares, amigos, jornalistas, intelectuais e artistas de várias áreas, que destacaram a perda insubstituível para a imprensa e para as artes de um dos mais expressivos repórteres culturais surgidos nos últimos 20 anos.
Mais que a dedicação incondicional ao trabalho e às questões do meio cultural, Alécio Cunha obteve destaque pela incomum capacidade de trafegar por todas as searas da cultura, que dominava com invejável competência. Começou no jornalismo como free-lance nas sucursais de revistas como Veja e IstoÉ e na redação do Jornal de Casa.
No caderno Cultura do HOJE EM DIA, desde o início da década passada, encontra o caminho definitivo para a meteórica trajetória como jornalista. Formado em Comunicação Social pela UFMG, em 1990, começou produzindo eventuais críticas de cinema. Aos poucos, sempre com eficiência notável, abraça outras seções, especialmente a literatura, especificamente a poesia. Ao leque de habilidades somam-se também as crônicas, que passa a publicar no jornal às terças-feiras.
Deixou textos inéditos e três livros publicados. A primeira edição foi “Lírica Caduca” (editora Por Ora, 1999), um admirável exercício de síntese - uma das características marcantes de seu trabalho como poeta. “Lírica Caduca” limita-se à apreciação de especialistas e intelectuais; trata-se de edição artesanal, idealizada em papel reciclável e dobrável em sanfona.
O título do segundo livro soa com ironia para quem conhece a memória máxima do jornalista. “Mínima Memória” (editora Scriptum, 2007) é caloroso reencontro com a terra-natal, a Boa Esperança dos tempos de grupo escolar, esmiuçada e reinventada na concisão em forma de haicai.
Essa impressa declaração de amor não fica sem resposta dos conterrâneos: a Academia de Letras de Boa Esperança consagra seu filho como imortal. Em março de 2008, Alécio Cunha retorna em grande estilo a Boa Esperança, acompanhado do filho João Antônio - hoje com oito anos, fruto do casamento com a jornalista Márcia Queiroz. De sua bibliografia constam também dezenas de participações em revistas, ensaios de artes plásticas, o texto do livro “Mario Mariano” (editora V&N, 2007), ensaio sobre o artista baiano, e a inclusão em coletâneas brasileiras e portuguesas.
De acordo com o jornalista Itamar de Oliveira, professor na UFMG, Alécio Cunha foi um dos alunos mais brilhantes de sua época. “Era um aluno incrível e destacado, o que já anunciava o profissional brilhante do jornalismo mineiro contemporâneo”. Já o músico Juarez Moreira destaca sua importância como agitador cultural e como crítico. “Não tenho palavras para expressar a qualidade do trabalho do Alécio e a importância que ele tem como agitador cultural e como crítico sempre antenado com o de melhor em cada área. Aprendi muito com ele e acho que o jornalismo cultural em Minas acaba de ficar um pouco mais pobre”, aponta o músico.
“Tenho muito orgulho de ter pintado um retrato do Alécio Cunha em 2001”, destaca o artista plástico Carlos Bracher, outro dos diletos amigos do jornalista. “Trata-se de pessoa absolutamente impressionante e extraordinária, tanto pela qualidade de seu trabalho quanto pela multiplicidade de interesses na criação e na tradução através de suas matérias jornalísticas de rara sensibilidade. Era um artista plural, atencioso com tudo e com todos, um ser humano privilegiado, um interlocutor extraordinário e com uma formação cultural que alcançava ampla gama de conhecimentos, da poesia à arquitetura, ao cinema, à filosofia, às artes plásticas”.
Para Bracher, sabedoria e generosidade são as características mais marcantes do trabalho e da personalidade de Alécio Cunha. “Perdemos um jornalista de talento único e um intelectual generoso, pródigo na difícil e muitas vezes incompreendida missão de relatar e enaltecer os feitos alheios. As pessoas sempre ficavam melhores do que eram e mais importantes em suas belas reportagens”, observa o artista. “Perdemos, sim, um mediador como poucos e um ser humano de primeira qualidade”, afirma.
“Era um trabalhador incansável da literatura e da arte das palavras. Deixa uma lacuna, um vazio para seus tantos leitores e seus admiradores de grandezas variadas”, lamenta Lyslei Nascimento, professora de literatura da UFMG. “Trabalhamos juntos em diversas ocasiões e sempre impressionava a todas as pessoas seu talento e uma intensidade que nunca vi em nenhum outro jornalista. Ele acompanhava tudo, sabia tudo, estava sempre presente em todos os lançamentos e estreias. Talento e intensidade são palavras-chave para definir Alécio Cunha”.
Uma das homenagens ao trabalho de Alécio Cunha como repórter de cultura e como escritor e poeta vai ao ar nos próximos dias pela Rede Minas de Televisão. A emissora produziu um perfil sobre seu trabalho que foi apresentado em maio, no programa “Imagem da Palavra”. De acordo com Luciano Alkmin, diretor da emissora, o programa deverá ser reeditado para ser exibido ainda nesta semana.
Roberto Mendonça e José Antônio Orlando - Editor-chefe e Repórter - 29/11/2009 08:52 MARCELO PRATES
O repórter e colunista do HOJE EM DIA sofreu um AVC em outubro deste ano
O jornalista Alécio Cunha, repórter, colunista e blogueiro do HOJE EM DIA, morreu na noite de sábado (29), aos 40 anos. Em coma desde 6 de outubro, por consequência de acidente vascular cerebral, o jornalista morreu no Hospital Vila da Serra.
O enterro, no final da tarde deste domingo (30), levou centenas de pessoas ao Cemitério Parque da Colina, entre familiares, amigos, jornalistas, intelectuais e artistas de várias áreas, que destacaram a perda insubstituível para a imprensa e para as artes de um dos mais expressivos repórteres culturais surgidos nos últimos 20 anos.
Mais que a dedicação incondicional ao trabalho e às questões do meio cultural, Alécio Cunha obteve destaque pela incomum capacidade de trafegar por todas as searas da cultura, que dominava com invejável competência. Começou no jornalismo como free-lance nas sucursais de revistas como Veja e IstoÉ e na redação do Jornal de Casa.
No caderno Cultura do HOJE EM DIA, desde o início da década passada, encontra o caminho definitivo para a meteórica trajetória como jornalista. Formado em Comunicação Social pela UFMG, em 1990, começou produzindo eventuais críticas de cinema. Aos poucos, sempre com eficiência notável, abraça outras seções, especialmente a literatura, especificamente a poesia. Ao leque de habilidades somam-se também as crônicas, que passa a publicar no jornal às terças-feiras.
Deixou textos inéditos e três livros publicados. A primeira edição foi “Lírica Caduca” (editora Por Ora, 1999), um admirável exercício de síntese - uma das características marcantes de seu trabalho como poeta. “Lírica Caduca” limita-se à apreciação de especialistas e intelectuais; trata-se de edição artesanal, idealizada em papel reciclável e dobrável em sanfona.
O título do segundo livro soa com ironia para quem conhece a memória máxima do jornalista. “Mínima Memória” (editora Scriptum, 2007) é caloroso reencontro com a terra-natal, a Boa Esperança dos tempos de grupo escolar, esmiuçada e reinventada na concisão em forma de haicai.
Essa impressa declaração de amor não fica sem resposta dos conterrâneos: a Academia de Letras de Boa Esperança consagra seu filho como imortal. Em março de 2008, Alécio Cunha retorna em grande estilo a Boa Esperança, acompanhado do filho João Antônio - hoje com oito anos, fruto do casamento com a jornalista Márcia Queiroz. De sua bibliografia constam também dezenas de participações em revistas, ensaios de artes plásticas, o texto do livro “Mario Mariano” (editora V&N, 2007), ensaio sobre o artista baiano, e a inclusão em coletâneas brasileiras e portuguesas.
De acordo com o jornalista Itamar de Oliveira, professor na UFMG, Alécio Cunha foi um dos alunos mais brilhantes de sua época. “Era um aluno incrível e destacado, o que já anunciava o profissional brilhante do jornalismo mineiro contemporâneo”. Já o músico Juarez Moreira destaca sua importância como agitador cultural e como crítico. “Não tenho palavras para expressar a qualidade do trabalho do Alécio e a importância que ele tem como agitador cultural e como crítico sempre antenado com o de melhor em cada área. Aprendi muito com ele e acho que o jornalismo cultural em Minas acaba de ficar um pouco mais pobre”, aponta o músico.
“Tenho muito orgulho de ter pintado um retrato do Alécio Cunha em 2001”, destaca o artista plástico Carlos Bracher, outro dos diletos amigos do jornalista. “Trata-se de pessoa absolutamente impressionante e extraordinária, tanto pela qualidade de seu trabalho quanto pela multiplicidade de interesses na criação e na tradução através de suas matérias jornalísticas de rara sensibilidade. Era um artista plural, atencioso com tudo e com todos, um ser humano privilegiado, um interlocutor extraordinário e com uma formação cultural que alcançava ampla gama de conhecimentos, da poesia à arquitetura, ao cinema, à filosofia, às artes plásticas”.
Para Bracher, sabedoria e generosidade são as características mais marcantes do trabalho e da personalidade de Alécio Cunha. “Perdemos um jornalista de talento único e um intelectual generoso, pródigo na difícil e muitas vezes incompreendida missão de relatar e enaltecer os feitos alheios. As pessoas sempre ficavam melhores do que eram e mais importantes em suas belas reportagens”, observa o artista. “Perdemos, sim, um mediador como poucos e um ser humano de primeira qualidade”, afirma.
“Era um trabalhador incansável da literatura e da arte das palavras. Deixa uma lacuna, um vazio para seus tantos leitores e seus admiradores de grandezas variadas”, lamenta Lyslei Nascimento, professora de literatura da UFMG. “Trabalhamos juntos em diversas ocasiões e sempre impressionava a todas as pessoas seu talento e uma intensidade que nunca vi em nenhum outro jornalista. Ele acompanhava tudo, sabia tudo, estava sempre presente em todos os lançamentos e estreias. Talento e intensidade são palavras-chave para definir Alécio Cunha”.
Uma das homenagens ao trabalho de Alécio Cunha como repórter de cultura e como escritor e poeta vai ao ar nos próximos dias pela Rede Minas de Televisão. A emissora produziu um perfil sobre seu trabalho que foi apresentado em maio, no programa “Imagem da Palavra”. De acordo com Luciano Alkmin, diretor da emissora, o programa deverá ser reeditado para ser exibido ainda nesta semana.
Roberto Mendonça e José Antônio Orlando - Editor-chefe e Repórter - 29/11/2009 08:52 MARCELO PRATES
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